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Mas,
ao contrário do que seu pai supunha, não pôde
adaptar-se bem no estrangeiro, e pediu
para voltar, sendo mandado diretamente para
São Paulo, onde completou os preparatórios
e chegou a iniciar o seu curso de Direito.
Estava
encaminhado na Faculdade de São Paulo, quando
por um mal entendido com a família partiu
para Minas Gerais, onde tentou ganhar a vida,
passando a advogar como provisionado. Mas,
tendo voltado a ajeitar-se com seu pai, seguiu
em 1860 para o Recife, onde terminou o curso
de Direito, obtendo o grau de bacharel em
1865.
Nomeado
promotor público em Antonina, nesse cargo
ainda se manteve por alguns anos, mas decidiu
não aceitar o lugar de Juiz Municipal que
da Província de Minas seus amigos e correligionários
lhe ofereciam. Satisfazendo os desejos de
seu progenitor que lhe oferecia trabalho em
sua firma comercial e nas suas fábricas de
erva-mate, em Morretes e depois em Curitiba,
o bacharel foi ser comerciante, entrando na
vida prática.
Não
deixou, porém, de militar na política local,
registrado como estava entre os conservadores
militantes e ativos, de cujo partido era seu
progenitor um dos mais prestigiosos chefes
provinciais.
A
nova carreira do comércio, da indústria e
das finanças, exercida com inteligência e
competência não o impediria de exercer cargos
vários de eleição popular. Assim, foi deputado
provincial em várias legislaturas e logo que
o Partido Republicano se fortaleceu com os
elementos melhores dos “saquaremas” e dos
“luzias” do regime monárquico, ele esteve
entre os elementos mais aproveitáveis do antigo
regime, elegendo-se Senador junto com Generoso
Marques e Ubaldino do Amaral, com os quais
ombreava sem desdouro.
Foi
ele, pois, um dos constituintes de 1891 como
representante do Paraná, e teve oportunidade
de assinar o manifesto-protesto contra o golpe
de estado do Marechal Deodoro da Fonseca de
novembro de 1891.
Deixou
sua cadeira no Senado quando foi eleito para
a presidência do Paraná.
Seu
período de governo foi excelente. Os quatro
anos que vão de 1896 a 1900, foram de calma,
de justiça, e tanto quanto possível, de apaziguamento
dos ódios que a revolução federalista de 1893-94
derramara e intensificara no Paraná, dividindo
as famílias e até dentro do seio de cada uma
delas, separando os seus membros mais exaltados.
No
período final do seu governo teve ocasião
de mostrar que quando necessário fosse, sua
têmpera seria de aço, e sua energia das mais
notáveis.
Baseando-se
em leis que nem o governo paranaense, nem
o federal, podiam reconhecer, tentaram os
catarinenses ocupar grande parte do território
paranaense da região contestada. Forte coluna
da polícia barriga verde, embarcada em lanchas
e vapores pretendeu realizar a navegação dos
rios Negro e Iguaçu, da jurisdição paranaense.
Contrapôs força a força e desarmou os soldados
do Estado vizinho, arrecadando-se, na ocasião,
todas as armas e munições, em grande profusão
aliás.
É
de lastimar-se que esse fato ocorresse já
no período final de seu governo e que a sua
moléstia e conseqüente morte o impedissem
de ministrar ao conflito a solução brilhante
que imaginara, para dar fim, desde 1900, ao
dissídio e ao Contestado.
Pedira
ele ao Senador Joaquim Lacerda que gozava,
junto com Hercilio luz, de Lauro Müeller e
de Felipe Schmidt, de extraordinário prestígio,
que mediasse junto aos catarinenses uma intervenção
agradável e depois judicial, com aquiescência
dos Congressos dos dois Estados, para que
o laudo arbitral do cel. Joaquim Lacerda fosse
definitivo e aceito como irrevogável. O assunto
foi ventilado, mas arrefeceu com o seu desaparecimento.
É
para lastimar-se eternamente que a solução
não houvesse surgido sob a sua incontestável
liderança, cujo patriotismo é fácil de reconhecer
pelo brilho e prudência das suas soluções.
Também a sua tolerância política era notável.
Nomeou
oficial de gabinete a um antigo adversário,
o cel. Luiz França, ilustre e digno paranaense,
cujos méritos pessoais todos reconheciam,
e que ele soube aproveitar em benefício da
sociedade.
Durante
sua administração, saindo o Estado do Paraná
de um período de extrema agitação e de desgaste
completo com a revolução que o invadira, viu-se
em seríssima dificuldades financeiras e também
econômicas. Exaustos de recursos os cofres
públicos, não havendo de onde tirar impostos
para o equilíbrio orçamentário, os funcionários
públicos não podiam ser pagos e o atraso se
avolumou. A sua atitude, nessa emergência,
foi das mais generosas.
Deixou
de receber seus vencimentos. Enquanto todos
os funcionários, do mais alto ao mais humilde,
não estivessem pagos e satisfeitos. Na realidade,
essa remuneração, relegada durante quatro
anos, só foi recebida pelos seus herdeiros,
muito tempo depois.
Dotado
de força hercúlea, de compleição atlética,
estimava mostrar seu poder muscular, mas também
possuía lúcida memória.
Florianista
apaixonado, muitas vezes acompanhou o Marechal
vice-presidente da República, nas suas visitas
de inspeção ao Morro do Castelo e às fortificações
da Guanabara, arsenais de Guerra e da Marinha,
e outros pontos de grande risco, para onde
convergiam os tiros da Esquadra revoltada,
sob o comando do Almirante Saldanha da Gama.
Era então, senador. Apesar de sua posição
política, ofereceu-se, como comandante do
7º Batalhão da Guerra Nacional, para seguir
na vanguarda da coluna do General Pires Ferreira,
que em 1894 avançou pelo Itararé e retomou
o Estado do Paraná, que a revolução, malgrado
sua tendência à dissolução, ainda conseguia
manter. Sua administração terminou a 25 de
fevereiro de 1900, e poucos meses mais tarde
ele falecia em sua chácara do Barigui, de
moléstia cardiovascular fulminante. Sua morte
teve lugar a 15 de junho de 1900 em Curitiba.
Biografia:
História biográfica da república no Paraná,
de David Carneiro e Túlio Vargas, 1994.
Foto: Galeria do Salão dos Governantes do
Palácio Iguaçu, reproduzida pro Simone Fabiano. |